domingo, 25 de outubro de 2009

Trechos de Caio Fernando Loureiro de Abreu.

"É assim mesmo - eu disse. - O mundo fora da minha cabeça tem janelas, telhados, nuvens, e aqueles bichos brancos lá embaixo. Sobre eles, não te detenhas demasiado, pois correrás o risco de transpassá-los com o olhar ou ver neles o que eles próprios não vêem, e isso seria tão perigoso para ti quanto para mim violar sepulcros seculares, mas, sendo uma borboleta, não será muito difícil evitá-los: bastará esvoaçar sobre as cabeças, nunca pousar nelas, pois correrás o risco de ser novamente envolvida pelos cabelos e reabsorvida pelos cérebros pantanosos e, se isso for inevitável, por descuido ou aventura, não deverás te torturar demasiado, de nada adiantaria, procura acalmar-te e deslizar para dentro dos tais cérebros o mais suavemente possível, para não seres triturada pelas arestas dos pensamentos, e tudo é natural, basta não teres medos excessivos - trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas."

"as pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. há os níveis-não-formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem, e sobretudo emoções. que nem se mostram."

"(...) Quanto a ti , já reparaste como o mundo parece feito de pontas e arestas? Já chamei tua atenção para a escassez de contornos mansos nas coisas? Tudo é duro e fere. Observo, observas como ele se move sem choques por entre os gumes. Te parece dócil, assim sinuoso, evitanto toques que possam machucá-lo? Pois a mim parece falso, conheço bem suas tramas e sei de todas as vezes que concedeu para que o de fora não o ferisse. Olha, ouve e repara: essas sinuosidades são de cobra, não de ave. (...)"
Conto Eu, Tu, Ele - Morangos Mofados

"Se meus olhos fossem câmeras cinematográficas eu não veria chuvas nem estrelas nem lua, teria que construir chuvas, inventar luas, arquitetar estrelas. Mas meus olhos são feitos de retinas, não de lentes, e neles cabem todas as chuvas estrelas lua que vejo todos os dias todas as noites."

"Era coração, aquele escondido pedaço de ser onde fica guardado o que se sente e o que se pensa sobre as pessoas das quais se gosta? Devia ser."

"Mania de esperar que as coisas sejam dum jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre."

"Fico pensando que nunca mais vai se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar sempre."

"Repetir mil vezes: não quero esperar. E a certeza de que esse não querer já traz implícitas as longas caminhadas."

"Mas indiferente à distância dele, quase violento, de repente queres violar com tua boca ardida de álcool e fumo essa outra boca ao teu lado. Desejarás devendar palmo a palmo esse corpo que há tanto tempo supões, com essa linguagem mesmo de história erótica para moças, até que tua língua tenha rompido todas as barreiras do medo e do nojo, subliterário e impudico continuas, até que tua boca voraz tenha bebido todos os líquidos, tuas narinas sugado todos os cheiros e, alquímico, os tenha transmutado num só, o teu e o dele juntos - luz apagada, clichê cinematográfico, pelas brancas de roupa cintilando jogados ao chão."

"Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia."

"Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."

"De repente,eu não conseguia ir adiante.E precisava:sempre se precisa
ir além de qualquer palavra ou de qualquer gesto."

"- ... Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem."

"Não chegaram a usar palavras como especial, diferente ou qualquer outra assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las."

"(...) Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui. Só sei que dentro de mim tem uma coisa pronta, esperando acontecer. O problema é que essa coisa talvez dependa de uma outra pessoa ara acontecer.
- Toque nela com cuidado - disse Santiago. - Senão ela foge.
- A coisa ou a pessoa?
- As duas."

"Têm muitas coisas que a gente vai deixando, vai deixando, vai deixando de ser e nem percebe. Quando viu, babau, já não é mais. Mocidade é isso aí, sabia?"


"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo 'clima', certa 'preparação'. Certa 'grandeza'.
Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe - e da mesma forma dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte - pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) - nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."

¨A solidão às vezes é tão nítida como uma companhia.Vou me adequando,vou me amoldando.Nem sempre é horrível.às vezes é até bem mansinha.Mas sinto tão estranhamente que o amor acabou.(...)Repito sempre:sossega,sossega - o amor não é para o teu bico.¨

"Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."

"— Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que um silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

E eu andava pensando no quanto você me faz bem. E o fato do verbo fazer estar conjugado no tempo presente me faz até mal. Não sei se você me entende, acho que nem posso pedir isso. mas você deveria ser uma peça do passado, no entanto é incrível como você parece fazer cada dia mais parte do meu presente. E eu não quero isso. Não agora, não assim. Por favor espera um pouco mais, mas não saia daqui. Não. Eu não quero que você saia. Você não entende? Como não? Não é que seja simples, mas é que você é uma parte tão necessária dessa loucura que eu achei que fizesse parte conscientemente, não faz? Então me desculpe se falei coisas demais, se eu ajo estranho demais, se às vezes sou grossa demais, se eu não soube aproveitar a chance que tive. Tá bom eu admito! O erro foi meu?! Não tenha tanta certeza, baby. Eu prefiro acreditar nesse tal de destino, sabe? Isso você entende, né? Como naõ? Porra você é burra? Eu te amo. Queria ouvir isso? Tá feliz? Eu te amo desesperadamente e não sei desfazer isso.! Me ensina vai. Me ensine com a mesma insistencia que tentou me ensinar a conviver com você e a conciliar nossas confusões! Tente, meu bem! Vai fundo. Tenta e tenta! Você é forte, eu sei que é... Eu só queria saber se de fato ainda é minha! Ah você também não sabe? Então pára com seu jogo tolo que é por ele que estamos aqui discutindo, caso contrário estaríamos tão juntas que se brigássemos machucaríamos a nós mesmas. Entenda que eu só puxei o último fio da costura desfeita. Eu só disse o acabou. O resto? Fizemos juntas ;)

sábado, 26 de setembro de 2009

E ao ver que era assim e seria assim, desisti. Mas desisti com uma dor tão profunda que poucos entendem. E por que desisti? Porque eu a queria feliz, mais que tudo. E por mais que agora ela esteja sofrendo eu sei que passa... Sempre passa.! Campainha. Ela chegou. Respira, respira, respira!
Ela tava ali, tão triste quanto o esperado, com aquela cara que dizia explicitamente um 'eu te amo' e eu não poderia ceder. Sabia que não! Respirei fundo, acho que procurava os meus pulmões e depois de um silêncio que eu preferiria não ter quebrado, tive que dizer:
-Entre.
Ela me abraçou. O que se diz em uma hora dessas? O se se pensa? O que se sente? Eu achei que estava preparada pra não ter uma taquicardia idiota dessas! Merda, merda, merda.! Esperei que ela soltasse, enquanto tentava contar meus batimentos cardíacos e prendia a minha mão a uma corrente imeginária para não abraça-la também. Aguentei. Ela por fim me soltou e entrou.
-Me explica, o que houve? Por que tudo isso agora? Você não me ama mais?
-Como você faz tantas perguntas juntas?
-Responde. Ela, por incrível que pareça não estava gritando.
Respirei. E tentei dizer calmamente:
-Nada, eu só cansei. Estamos... Estávamos muito tempo juntas e eu quero que você tenha um tempo pra você e quero ter um tempo pra mim.
- É por você ou por mim?
-Pelas duas.
-Então você acha que está melhor assim? -Porque ela tinha que perguntar isso?-
-Acho.
-Isso quer dizer que você não me ama mais? -Outra merda de pergunta pra ser respondida com mentiras.-
-Num é isso -Tentei não mentir- Mas acho que se vai acabar em breve que acabe logo.
-E por que acabaria?
-Ah, para vai. Não diga que estava feliz por que é mentir...
- Você não estava?
-Estava, mas eu...
- Se você estava feliz e eu estava feliz, ME DIZ POR QUE DIABOS VOCÊ INVENTOU ISSO DE TERMINAR! -Pronto ela já estava gritando-
-Porque eu preciso de um tempo e você també...
-PÁRA DE ME DIZER DO QUE EU PRECISO!
-Pára de gritar, por favor!
Agora quem respirou foi ela.
-Eu sei que é idiota, mas eu tenho os meus motivos e eu prometo que uma hora você vai entender.
-Mas eu quero entender agora. Enquanto eu ainda posso tentar consertar o que na sua cabeça está errado!
-Você que não vê!
-Me diz o que é que eu tento ver!
Fiquei calada, não poderia dizer nada. Ela não iria ver, não agora.! Respirei, respirei, respirei!
-Me dê um motivo plausível. -Ela disse com uma voz mais de ordem que de súplica!-
- Eu não tenho tempo pra você e você precisa de alguém que possa lhe oferecer mais do que minutos corridos...
-Eu preciso de você.
Ela não disse isso, não disse! Respire, respire, respire! Ela tava andando de um lado pro outro e eu sentada no sofá. Ela chegou perto, perto demais até, eu ia levantar, mas não consegui, não sentia minhas pernas.! Não havia razão. O que está havendo comigo agora? Ela se aproximou demais, mais do que deveria, mais do que eu aguentaria.! Parou na minha frente e disse:
-Se você disser olhando nos meus olhos que não me quer mais, eu saio da sua vida!
-Eu não quero que você saia da minha vida.
-O que você quer?
-Eu quero que... [estranho, mas eu travei pra dizer esta palavra que antes era tão comum entre a gente]... voltemos a ser amigas.
- Amigas?
Fiquei calada, não poderia repetir isso, seria estranho e cruel demais pra mim.
-Eu desisto, se é isso que você quer. Eu saio da sua vida. -Ela saiu com uma convicção que me assustou.-
Então eu estava sozinha de novo. E a única coisa que queria era chorar. E chorei por horas inteiras por alguns dias... Depois foi acalmando. Acho que aprendi a viver sem ela de novo. Mudei o foco. Era o que eu precisava. Ficou a lembrança que ainda dói. Seis meses depois, numa tarde de sábado, eu estava exausta da noite anterior em que eu agi como uma menina idiota e sem coração de novo, fiquei com gente que nem lembrava o nome, entre outras coisas imbecis que eu adorava fazer antes dela, mas que agora já não tem a menor graça, o telefone toca. Era a minha amiga dizendo que ela estava namorando com o menlhor amigo dela desde a semana passada e estava muito feliz. Eu sabia. Eu sempre soube. Acho que vou tonar um banho, chorar um pouco no chuveiro e agora de tarde, pra de noite a maquiagem esconder os vestígios do choro e eu poder sair de novo pra supostamente me divertir na minha vidinha cor-de-rosa na Terra do Nunca.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Estava sozinha, pensando no que fizera. Entregar a alguém o meu amor, logo eu? Burrice ou bom senso, ainda não sabia. Ele é o melhor amigo dela afinal, a fazia tão bem e no fundo tudo o que eu queria era vê-la feliz, e só, só feliz. E felicidade o que era mesmo? Ela dizer que era eu, mas como eu seria a felicidade dela se comigo ela ganhou tantos outros problemas, afinal? Não faz sentido, nunca fez. Eu não sou o que ela precisa e quase nunca o que ela demonstra querer. Por que eu me envolvi de verdade? Poderia ter ficado, saciado a curiosidade dela o meu desejo e depois deixado tudo isso pra lá, não poderia? Tanto faz, eu deveria ter acabado com isso faz muito tempo, fiz a coisa certa! O meu erro só aparecerá, ou não, daqui a algum tempo e se ela não se apaixonar por ele; ou melhor, ela já é apaixonada por ele, só precisa descobrir, logo eu não cometi erros.
Ela está aparentemente triste e ele, como o bom 'amigo' que é, foi diverti-la. Estão no boliche agora, ou deveriam estar, vai que tenham encontrado um motel pelo caminho? Tá eu estou ficando doida. Ou não, sempre gostou de homem mesmo, por que não ele e por que não agora? -Telefone- Merda! Não posso nem pensar em paz. ARG. É ela. E agora? Atendo? Deixo tocar? Desligo? O que eu faço?
-Alô?
- Amor?
-O que você quer?- odeio tratá-la assim
-Nada eu só queria saber como você está. Hum... Eu sei que... Talvez você não me ame mais e ... Eu só queria dizer que te amo, só isso!
-Ama?
-Amo.
-A mim e a quantos outros?
-Não fale assim comigo, eu não traí você e nunca te dei motivos pra me tratar assim! Nem sei porque terminamos.
- Desculpa, mas...
-Será que podemos conversar pessoalmente?
-Tanto faz - Merda! Fui fria e estúpida de novo.!
-Onde?
-Vem pra cá, tô em casa.
-Ok, até.
-Até.
Se ela escolheu ficar comigo, porque eu tentaria agora tentar fazer o que eu acho melhor pra ela? Ela odeia que eu faça isso. Afinal as pessoas podem amar duas pessoas ao mesmo tempo, não com a mesma intensidade, é claro. E se eu for a mais amada nessa história? Será que vale a pena sofrer agora fazendo o que eu penso ser o certo? Mas será que ela escolheu MESMO ficar comigo?E eu nunca soube mesmo dividir atenção que dirá amor, afinal eu não gosto de meio termos, não sou tua meio amiga, nem teu quase amor. Ou sou tudo ou não sou nada. Nessa história acho que sou meio termo, então prefiro não ser nada. Mas não é questão de ser nada ou tudo, no amor não tem muito disso! O que hoje é tudo, amanhã ou mesmo daqui a uma hora, cinco minutos que seja, pode não ser nada. É questão de valer ou não a pena, apostar todas as fichas ou não, se entregar e que seja eterno enquanto durou desistir e pensar no que teria sido e eu a amo tanto. Mas definitivamente eu não posso prende-la aqui e deixa-la descobrir tarde que eu fui um erro. Eu não posso. Ler coisas do Caio é definitivamente algo que eu deveria ter feito e sabia disso, mas a teimosia me consome. É um defeito meu, admito. Então eu li, e li para que as horas passassem até que ela entrasse por aquela porta com uma cara que certamente me tentaria ainda mais a mudar de ideia. Eis que achei:'Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.' Ler o Caio agora, loucura! [continua assim que eu decidir o fim da história...]

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Que seja doce

Andei lendo Caio Fernando novamente, já não sei se isso é bom ou ruim. Me sinto depressiva como ele as vezes... A depressão é um estado bem distante da tristeza, a tristeza chora, ela se mostra no olhar. A depressão não se mostra, ela não pode ser curada com um pouco de afeto. Em um desses meus dias cinzentos debaixo de um sol escaldante, alguém me disse que o Caio era depressivo, isso justificou nossas semelhanças , além das notáveis. Mas a minha depressão é momentânea, ela passa depressa. Desde que você se foi ela se tornou contínua, passei a olhar e nem ao menos ver aquelas coisas lindas das quais eu extraía até perfumes maravilhosos ; não vejo cor, não sinto, nem ao menos penso, não escrevo (que fique claro que isso é apenas uma escrita feita de dentro pra fora, quem escreve agora é minha mente e eu escrevo com o coração, mas esse já se demitiu a algumas horas), digito aqui essas palavras vazias, feitas das lágrimas secas que não puderam ir junto das outras; aquelas mesmas que ficaram presas nos momentos em que eu pude chorar diante de todos e inclusive de você. Há um grito mudo, uma dor contida , daquelas que esqueceram de nomear, que não dói de fato, que só angustia, aquela que se sente um vazio imenso, aquela que você teme e que na maioria das vezes diz conhecer mas que nem imagina. A dor que supera o ódio, a dor que supera o amor; a dor que já não se sabe mais sentir. Vendo agora meu coração a quem o quiser, desde que me prometa que será capaz de cumprir o que eu não fui, nunca mais dar-se ao luxo de sentir esta dor. O amor é lindo quando vivido, impressionante quando descrito e insuportável quando acabado. Sabe apenas quem o viveu, quem se deu ao luxo de usufruir de todos os seus gozos de depois permitiu-se trancar no quarto chorar noites e dias por tudo aquilo que não foi vivido. Eu me dispeço agora, como meu coração se foi de mim, vou agora, por aí vagando.
Aluga-se um coração destruído, que precisa apenas de descanço. Recomenda-se uma vida no campo, sem amor nem dor.
Telefone para contato: 021 xxxx-xxxx

E como dizia o grande Caio Fernando...
'Em um mundo deserto, de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato outra'
'Que seja doce'

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pra um alguém que vai ser sempre especial


E eu que já começava a achar que o mundo girava sem você por perto me dei conta novamente da falta que você me faz. Fazia um tempo que essa dor não me consumia, se cada vez que eu sentisse isso eu perdesse uma parte de mim, eu já não existiria. E justo naquele momento mágico em que você sumia de meu coração, uma coisa tão boba que se tudo já tivesse passado, passaria por mim desapercebida completamente em toda a minha ocupação desocupada na frente do computador. Mas eu tenho esse costume idiota de procurar você em tudo que me cerca, já passou a hora de perder este hábito, mas ao mesmo tempo que eu te procuro você parece fazer sinais que imploram por atenção, ou seria apenas o meu coração te gritando? Ou sou apenas eu esperando seus sinais mudos? Já não sei o que sinto, não sei o que penso, eu preciso de você, eu quero aquela ferramenta mágica de me fazer sorrir, eu quero você. Há um mundo entre nós. Não o mundo lindo, brilhante e colorido comum a nós duas. Nossa história grande e complicada que só transmite respostas a nós mesmas e faz com que os outros não entendam metade do que está escrito aqui. O sorvete de limão ainda tem cara de sorvete inexistente de água, eu ainda ouço a sua voz, eu te sinto aqui. De fora é mais fácil analisar mas eu não quero fazer isso, foi inesperado demais pra isso, milagres não são explicáveis. Ah, todas as vezes que eu me vejo em uma situação difícil eu sinto sua mão na minha, eu me lembro daquelas palavras. Ainda existimos.

'-Promete?
-Eu não preciso, eu sinto'

(L'

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Pra não explodir

Às vezes ao olhar ao meu redor eu espero o melhor possível de todos, talvez seja um defeito meu, mas exatamente aqueles que tentam agradar sempre me incomodam profundamente. Não se porque atrás de cada atitude humana há sempre um desejo próprio e egoísta ou poruqe eu não acredito mais nessa merda de mundo. Se eu pudesse tacar fogo em algum lugar certamente seria o planeta Terra. Vou morar na lua, essa ideia idiota passa por minha cabeça diariamente ao olhar pro há fora de mim, para todos que me cercam exceto algumas crianças . Nem nas crianças acredito mais, elas serão educadas para serem as mesmas porcarias que são os adultos de hoje, ou ainda pior. á um determinado alguém que me cerca, que me faz bem e me incomoda como nenhum outro, com um hábito besta que chega a ser falso de tentar agradar a todos, esses são os piores. Eu quero acreditar em mais do que eu vejo. Desisti de lutar pelo que não vale a pena. Quero uma arma potente para acabar com todos, se não com todos, com esse alguém. Não, não quero mais matá-lo, a morte é um presente, te tira deste lixo de mundo e te leva pra qualquer lugar, não importa onde, já é uma salvação. É não tem como ir pra lua, o jeito é sair da órbita que todos conhecem e seguir a minha órbita, que só uma pessoa no mundo conhece: eu.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Caminhos

Já senti como se a luz do vazio que me consome me mantivesse viva, é como se o meu remédio fosse meu veneno. O brilho dos seus olhos eram minha morfina; cheguei a sentir como se não sentisse qualquer batimento cardíaco, qualquer vestígio de vida. Não, eu não me sinto mais assim; hoje há um por que maior, algo que me mantém cada dia mais viva, hoje eu sei como é realmente se sentir viva. Quem não sabe o que é a vida, não pode dizer que está feliz. Hoje eu sei que sentir como se o mundo fosse acabar ali se você esperasse mais dois dias pelo beijo não chegam nem perto do que é estar vivo. Meu mundo era pequeno, de coração fútil e mente vazia. De repente tudo pára de fazer sentido, eu estou alegre, mas por quê? Quem não sente dor não sente amor, supostamente. Começo a acreditar que a dor atrai o amor, como se o sangue latente da caça atraísse o caçador. As coisas começam a se encaixar quando você consegue ver em alguém aquilo que há dentro de você, escondidinho, aquilo que só aquele alguém vai saber te mostrar e neste momento é como se uma pessoa segurasse a sua mão e te levasse para um passeio onde você passa por todas as ruas de sua infância, por todas as ruas que você conhece bem e no fim chega a um lugar muito mais amplo, um lugar que lhe dá tranquilidade, um lugar que você nunca imaginou que encontraria, muito menos dentro de você. Neste momento as almas se encaixam, toda e qualquer promessa é inútil e vazia. Almas são livres. Os dias são mais divertidos, não há um por quê, apenas são. As coisas nunca precisam de mais do que o existir. Essa pessoa especial nunca é eterna, ela só conhece o caminho até um determinado lugar, esse lugar nem sempre é tão bonito como o início do caminho, mas você aprendeu a chegar até ali.E é quando você desiste, com medo de se perder e vem um outro alguém e te leva mais longe. Todas as pessoas que encontram com você sabem um pouco do seu caminho, sabem um pouco mais sobre os caminhos da vida, cada uma delas é a chave pra abrir uma porta diferente pra chegar ao fim. Que o meu fim seja mostrado por você, eu quero que você me leve até o fim do caminho, caso nós não saibamos como seguir, nos sentemos debaixo de uma árvore, abraçadas para diminuir o frio devido à ventania, esperemos uma ideia legal para ir mais adiante, desde que seja com você. Eu te amo.


/=P.S. : Pra alguém que disse que os meus textos sempre tem um tom de raiva...

[Rio, 29/04/09]

terça-feira, 28 de abril de 2009

Estrelas

Acabo de me surpreender ao olhar o céu. Quanto brilho, numa noite explendorosa que chega a me lembrar das noites bem aproveitadas no gramado da casa de Angra. Confuso imaginar como um homem com sua tremenda 'evolução mental' possa ser controlado por um objeto criado por ele mesmo para auxiliar-lo em sua evolução, não eu não estou falando dos mutantes e zumbis do Resident Evil, eu me refiro a algo mais próximo, me refiro ao seu relógio. Na correria dos ponteiros deixei de me apegar ao que eu mais apreciava. A minha capacidade de fazer do tempo meu aliado, hoje, em ano de vestibular parece piada, mas um dia nem tão distante assim eu poderia perfeitamente me deitar na varanda e apreciar tais estrelas, sentir a lua em mim, mas acabo de me dar conta de que tenho prova amanhã. É difícil deitar e ver as estrelas sem lembrar de toda a pressão e expectativa que cai sobre mim agora, não só sobre mim, mas sobre todos os meus concorrentes que eu terei que esplendorosamente derrotar. A vida é assim, ou se perde ou se ganha, uma disputa constante. Lutar contra o relógio não é tão fácil quanto é para uma criança adiar o fim da brincadeira, não há mais tempo para brincar, nem para viver, nem para respirar, nem para aproveitar o que é seu de direito. A lua e as estrelas são suas também e é com toda a boa vontade do mundo que lhe ofereço o que tomei pra mim ( me aproveitei de toda essa frieza contemporânea que abre mão completa de aproveitar as únicas coisas compartilháveis e simples, como a beleza do céu, o brilho das estrelas e da lua, os sorrisos e tudo aquilo que você também abriu mão). Acabo de tomar uma decisão, não eu não vou abrir mão disso, deixo isso pra você. À mim cabe a obrigação de dar ao céu e as estrelas um alguém que os admire.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Diante de toda essa confusão encontro-me sem saber como agir, o motivo de tal confusão já não muda quase nada, ver-te me mantém cada dia mais viva, ou quem sabe até ameniza a dor de minha morte. Se há sentido algum em tamanha dor já não sei nem ao menos me interesso por saber; desisti desse hábito tolo, humano, de insistir no custume de tentar saciar às minhas curiosidades sem resposta. (09/02/09 - Aula de Geografia)










P.S : Dois meses então (L'

sábado, 18 de abril de 2009

Tão graciosa é a arte de amar quanto pode ser cruel a ponta da flexa que mata um bicho inocente. O amor é cruel ele te pede provas o tempo todo; é um sentimento insaciável. A maior obrigação e o maior contetamento do amor é testar os seus limites todo o tempo. E você ainda sente prazer por doar-se inteiramente a ele se não o fizer, há de julgar-se pelo resto de sua vida. Mesmo que hajam outras paixões, outros olhares e arrepios, taquicardias e tonteiras de amor, o suor que deixou de derramar na luta por aquele grande amor o perseguirá e fará de ti sempre um mar de angústias.
Amor não se esgota, ele apenas se vai, não por excesso de gasto, não por desperdício, mas sim para manter suas luxúrias e extravagâncias, orgias e descasos. O amor de verdade nunca se contenta com o , ele quer mais, ele quer de ti, tudo que ele pode lhe doar e também o que ele não pode (Não sei se disseram a ti alguma vez, mas o amor é irracional). O amor não é puro; o amor é um conjunto de dores e calores, arrepios e sabores, o amor é tudo e não é nada; O amor se complementa, não há escolha, não existem erros, ninguém NUNCA soube amar de verdade.
O amor é como a arte, cada um a interpreta, cada um a conhee, cada um a consome de sua forma. Arte não se classifica, arte não pede espaço, o artista não a escolhe, ela escolhe o artista; arte traz vida a quem a faz e a quem a admira, arte não se critica, arte se sente. Não me digas que não é capaz de ver tais semelhanças entre o amor e a arte? Se não as vê ou és completamente insensível às artes e divindades legítimas ou pior, é insensível ao amor. O artista não troca o amor por sua arte. A arte é feita de seu amor, e seu amor se expõe em sua arte. Se um dia eu for reconhecida por algo quero que seja por minha arte, nela estão todos os meus amores e dores.
O amor é egoísta, complicado, o amor é como uma menina de 16 anos amando, o amor é confuso, o amor é mais necessario que o ar; o amor vale mais que a arte, a arte vale como a dor que as vezes é tão ardende que vale como o amor. O amorsou eu agora, fazendo minha arte, fazendo o que eu sei fazer!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mais um desabafo qualquer

É, só entende quem passa. O que ninguém vê é que eu não peço que me entendam, eu peço que me respeitem (eu não disse em momento nenhum que respeitar o desconhecido é fácil). Eu só quero aquilo que eu possa doar. Entenda que respeito não é uma atitude unilateral nunca, respeito para mim nem é uma atitude, respeito é um sentimento. Não quero preconceito camuflado. Palmas para aqueles que gritam seus preconceitos; esses dão oportunidade para qe os outros o façam mudar de ideia (sem acento. Estou revoltada contra essa droga de reforma ortográfica, peço que ignorem meus erros quanto a nova forma de escrever); Triste é aquele que omite seus preconceitos, ele não vai mudar de ideia, ele é apenas mais um com preguiça de pensar e medo de sentir.
Sentimento idêntico ao que tenho agora, só eu conheço, desde o que me fará ter as atitudes que terei ao que me motiva a pensar em outra possibilidade. Costumam dizer que negar ao outro é mais fácil do que negar algo para si; Na verdade ao negar para o outro você nega consequentemente para si. Negar o que você é , ou melhor, sente (as pessoas não são nada, elas estão qualquer coisa) quando se tem consciêcia de tal sentimento é na verdade negar as consequências dele, mas quem sofre as consequências do que você sente é você, logo negar para o outro é o mesmo que negar para si.
Como alguém pode julgar o outro por aquilo que ele sente se o que o que ele sente não é uma escolha? Essa é a hora em que você deve ter pensado 'não se julga', esse pensamento ocorre porque julgar é tão involuntário que você não percebe quando o faz (a todo instante, diga-se de passagem), mas criticar a quem se julga é também uma forma de julgar. Eu não tenho medo de ser julgada, meu medo é de ser PRÉ JULGADA.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

E se ?

Por quê? E se eu pudesse desfazer? E se eu me arrepender? E se o tempo não levasse consigo uma parte de mim? E se tal parte me fosse essencial? E se isso me fizesse mal? E se o mundo parasse de girar? E se eu pudesse não pensar? Se o fim fosse o começo de tudo? Se o meio fosse o mais importante? E se os dias não tivessem fim? E se eu encontrasse um sapo roxo? E se eu fosse o meu início? E se Deus não existir? Qual será o meu fim? E se houver vida em Plutão? E se um dia eu pudesse ir a lua? E se eu soubesse o que você pensa? E se eu amar e desamar em um minuto? E se o professor perder para o aprendiz? E se eu fosse esse aprendiz? E se eu fosse o professor? E se um pai escutar o seu filho? E se o filho estiver certo? E se a amizade não for real? E se os pacotes de biscoitos fossem latas? E se a internet acabasse? E se o nosso nascimento foi a nossa morte? E se a nossa morte for o nosso nascimento? E se uma menina gostar de outra? E se ela gostar de dois meninos? E se não houvessem países? E se o cigarro fosse a maconha e a maconha fosse o cigarro? E se bebida fosse proibido para maiores de 50? E se o pato Donald amar a Minie? E se o Super homem amar o Batman? E se o Robin tiver um caso com a mulher gato? E se o Gaguinho não for gago? E se as Panteras forem as vilãs? E se o mundo virtual for o real? E se nós vivessemos no mundo dos espíritos e não eles no nosso? E se eles forem reias e nós não? E se a Igreja for o mal do mundo e não a televisão? E se o certo fosse andar nu? E se o ser humano for o animal menos racional? E se nós entendessemos? E se não fizer sentido? E se querer saber for o erro? Por quê?

domingo, 29 de março de 2009

Faz parte do meu show


A melhor qualificação de mundo que eu encontrei encontra-se em dois únicos adjetivos: Fechado e complexo. Sim, este é o mundo para mim; não falo de um mundo generalizado, falo do mundo psicológico, aquele em que apenas você existe, você é dono de seu tempo. Pare, reflita, imagine um lugar e uma pessoa, agora mesmo se eu hesitasse em lhe dizer isso e tentasse voltar no tempo eu não conseguiria, nem você, é tarde demais. Sempre que algo é dito ou feito no mundo coletivo esse algo torna-se irreversível já no seu mundo não, ali, no seu espaço, na sua mente, você vai e volta milhões e milhões de vezes e nada acontece. Por outro lado, viver no seu mundo fechado não lhe traz o necessário pois o necessário está no mundo exterior, o necessário não é apenas você, a grande graça e o grande problema de estar vivo encontram-se no fato de não ser auto-suficiente nunca, nem com todo o dinheiro do mundo e toda a inteligência não seria possível, pra quem sabe viver o problema é bem menor. A mágica de viver está exatamente em compartilhar e o grande problema é não poder voltar atras, se pensarmos, o maior problema de viver é também um motivo interessante que nos leva ao mundo imaginário.
Muitos sábios enlouqueceram e morreram tentando buscar uma razão lógica para muitas coisas, o maior passo para a morte dado por eles foi exatamente tentar entender. Quem nunca reclamou de uma criança que pergunta muito? É da naturaza dela deixar-se levar por seus instintos, a curiosidade é um instinto humano. A maior graça em ser criança é não preocupar-se, ela não precisa fugir, ela pergunta, questiona, mas ela questiona o exterior, ela nunca se pergunta por que ela gosta de rosa e sua amiga não, ela questiona o mundo e não seus semelhantes. Entender o ser humano não faz parte da minha visão de realização, eu quero mais que compreensão; eu quero respeito!