quarta-feira, 19 de outubro de 2011


Eu sabia desde o início onde isso daria e, talvez por isso, resisti enquanto pude. Não foi o bastante. Então, agora que cheguei ao fim vejo que nada nunca seria o bastante pra você. Nada que viesse de mim, pelo menos. Pouco tempo, muito pouco e o estrago foi maior que o esperado, maior que o mentalmente tangível. Ou eu que fui mais fraca e vulnerável do que imaginei que fosse. ' Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente?'. para que não doa mais decido pôr fim agora, para que, de alguma forma, eu me proteja de tudo ao que me expus. Não culpo ninguém, isso não existe.! Se alguém pode ter culpa nisso tudo, esse alguém sou eu, única e exclusivamente e, não me arrependo, não mesmo. Depois de anos criando e determinando um ponto seguro, um ponto estável para me proteger, eu abdiquei dele. E abdiquei sabendo do risco que corria, do estrago que seria causado. Agora é segurar a onde e esperar passar, deixar que suma como todo o resto porque tudo que hoje é importante, amanhã é lembrança empoeirada.

sábado, 15 de outubro de 2011

Muros que caem não são a minha especialidade e você sabe bem, não é mesmo?! Você sabe, assim como sabe de tantas outras coisas que não se adivinham facilmente, guardadas onde não se mexe. Baú trancado, envelope lacrado no fundo do armário empoeirado. Acho que a palavra certa é lê. Você me lê usando de artifícios que desconheço, mas sei que funcionam, e funcionam muito bem, talvez tanto quanto os que foram usados para me conquistar. Ou seriam os mesmos? Não importa, não mais. O que importa é que estamos aqui e, seja lá o que isso significa, é forte o suficiente para me consumir emocionalmente, para me aprisionar e libertar de uma só vez. Libertar de uma cadeia que eu mesma construí ao meu redor, por puro medo, e me aprisionar com o medo-base para a criação da cadeia. O medo de submergir em confusões, ciclos, surtos, pensamentos, ciúmes, relações, afetos e desafetos que não os meus e, no entanto, aqui estou. Acho que o medo de ser ‘invadida’ e tomada por sentimentos intensos o suficiente para se tornarem completamente irracionais tem se transformado em pavor. Não sei conciliar racionalidade e emoção, sobre o mesmo alguém e, no entanto, esse equilíbrio tem se feito cada vez mais necessário. Necessário porque eu nunca posso ser totalmente emocional com alguém racional como você e, muito menos totalmente racional com alguém que me encanta tanto. Necessário porque sei que se me entrego ao emocional, vou sozinha nesse barco e, no meu mundo, sentimentos e relações não são construídos por uma pessoa só. Meus dados jogam tudo ou nada, nunca 3 ou 4, sempre zero ou 6. Mas o tempo vai passando e te sinto cada vez mais dentro, dentro do meu espaço, do meu cotidiano, seja ele bom ou ruim. Mas hoje acordei com um medo. Medo de te perder agora, antes de aproveitar você de muitas formas, antes de chegar perto de te conhecer de verdade. Do amanhã não se sabe, nunca se sabe, mas eu só desejo que seja leve, que seja doce, como diria o Caio. Às vezes, desejo que tenha você também, mas logo recobro a consciência e desfaço essa parte do pedido, volto a me policiar. Me policio todas as vezes que chego perto de te desejar no meu amanhã porque, no fundo, eu sei que o teu ontem se faz mais presente nos teus desejos futuros do que o teu hoje e, embora pensar isso não me satisfaça, não te julgo. Hoje pensei em te dizer uma frase milhares de vezes e não consegui. Existem coisas que não podem ser ditas, não podem ser tocadas, fazem parte do íntimo de cada um. Sempre penso no som das palavras e no poder que elas podem ter. Talvez isso explique porque me calo quando sinto algo muito forte, pode ser amor, raiva, mágoa, o silêncio diz muito mais sobre os sentimentos do que qualquer palavra e aí voltamos para a ideia dos muros... O silêncio é também uma forma de muro, não é mesmo? É uma proteção, não sei se me protege ou protege os outros de mim, talvez os dois. No silêncio o meu subconsciente também acha espaço para me alertar do mundo real, me conecta a datas, dados, na verdade o silêncio é um alto-falante do subconsciente humano. E nessas horas olho em volta e vejo alguns dos meus muros no chão e outros tão firmes... Talvez por muito tempo, ou não.

sábado, 3 de setembro de 2011

Tanto tempo sem isso aqui, não é mesmo?! Tanto tempo sem escrever pra você...
Então minha linda, ainda faltam alguns minutos para o dia 29 de agosto de 2011... E essa data não costuma ser uma das mais comemoradas na minha vida nesses últimos anos, mas hoje eu quero muito te agradecer por tudo que você foi para mim. O tempo passou rápido e trouxe com ele tantas coisas boas e ruins, mas ele levou muitas outras coisas também e hoje eu gostaria de dizer que você está inclusa no segundo caso, mas não está. E no fundo, eu não quero nunca que você esteja. Sabe, as coisas andaram difíceis esses dias e eu saí culpando essa semana do dia 20 o que também foi um erro feio meu, afinal um dos meus melhores presentes veio nessa semana: você. Tá certo que você foi um presente de grego (haha), mas, de qualquer forma, foi um dos melhores. E o teu sorriso, o teu cheiro, abraço, voz, voz, voz... A tua voz que nunca sai da minha cabeça, as tuas manias e ciumes, brigas e confusões, os nossos desencontros que acabam sempre nos jogando na mesma esquina, rua, bar, casa, grupo de amigos, festas... ‘Todos os caminhos me levam a você’ – E isso é lindo, ou seria, se não nos magoássemos tanto, se soubéssemos sentir tudo isso de uma forma mais bonita, mais leve, mais calma... Eu não vou mais fugir de você, eu não vou mais fugir de nada que me leve a você, eu não preciso mais fugir. Eu tenho mudado tanto que, por incrível que pareça, eu resolvi conviver com a ideia do seu fantasma na minha vida, eu resolvi aprender a respeitar o seu espaço inviolável dentro de mim e olha o quanto eu demorei a admitir que o seu espaço é, de fato, inviolável. Mas, meu amor, chega de expandi-lo mais e mais, não é mesmo?! Vamos fazer um acordo limpo dessa vez: Você não tenta ganhar espaço e eu não tento roubar o seu território já conquistado, que tal?! Depois de tudo que aconteceu talvez essa seja a hora de lhe deixar partir... E hora de partir também, hora de parar de te guardar como um porto seguro, procurar outros mares, navegar por lugares desconhecidos e, dessa vez, sem porto seguro algum. Acho até que é hora de chorar verdadeiramente por outro alguém, hora de virar a página e continuar a escrever o livro sem reler o início que eu já conheço de cor. Mas também é hora de curtir uma nostalgiazinha boa relacionada a você, de aprender a não me abalar tanto por cada passo seu, por cada olhar e sorriso. Você é linda, você foi linda e eu só tenho a agradecer... Agradecer por todo o carinho e confiança e até pelas nossas quedas, pelas minhas fossas sem fim, pelo teu abrigo e pela sua implicância. Eu estou aqui escrevendo e lembrando de diversos momentos que não serão expostos, mas estão sendo lembrados com todo o amor que eu senti por você durante todo esse tempo... Essa ligação sem fim e tantas coisas lindas a serem ditas, mas hoje, eu quero dizer o oposto de todas elas que, quando se trata da gente, é ainda mais bonito. É mais bonito porque faz de você algo eterno pra mim, porque diz tudo que não foi dito até agora, diz ‘você não vai passar, mas eu não quero que você doa’. E entenda que o doer seria a dor da tua presença constante com a qual eu nunca me conformei, até hoje, pelo menos. Eu te quero como a melhor lembrança sempre, a mais bonita, a mais alegre, mas uma lembrança adormecida, sabe?! Agora eu só tenho que desejar que você realmente encontre alguém pra segurar essa tua onda de sentimentos de uma forma mais saudável do que a forma como eu tentei, alguém pra te fazer sorrir daquele jeito lindo que só você sabe, alguém por quem você escreva coisas lindas como nunca escreveu e que, dessa vez, valha a pena.
"Toda a minha saudade e o amor de sempre." (CFA)
Para sempre tua.
Ana Beatriz.

Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2011