Estava sozinha, pensando no que fizera. Entregar a alguém o meu amor, logo eu? Burrice ou bom senso, ainda não sabia. Ele é o melhor amigo dela afinal, a fazia tão bem e no fundo tudo o que eu queria era vê-la feliz, e só, só feliz. E felicidade o que era mesmo? Ela dizer que era eu, mas como eu seria a felicidade dela se comigo ela ganhou tantos outros problemas, afinal? Não faz sentido, nunca fez. Eu não sou o que ela precisa e quase nunca o que ela demonstra querer. Por que eu me envolvi de verdade? Poderia ter ficado, saciado a curiosidade dela o meu desejo e depois deixado tudo isso pra lá, não poderia? Tanto faz, eu deveria ter acabado com isso faz muito tempo, fiz a coisa certa! O meu erro só aparecerá, ou não, daqui a algum tempo e se ela não se apaixonar por ele; ou melhor, ela já é apaixonada por ele, só precisa descobrir, logo eu não cometi erros.
Ela está aparentemente triste e ele, como o bom 'amigo' que é, foi diverti-la. Estão no boliche agora, ou deveriam estar, vai que tenham encontrado um motel pelo caminho? Tá eu estou ficando doida. Ou não, sempre gostou de homem mesmo, por que não ele e por que não agora? -Telefone- Merda! Não posso nem pensar em paz. ARG. É ela. E agora? Atendo? Deixo tocar? Desligo? O que eu faço?
-Alô?
- Amor?
-O que você quer?- odeio tratá-la assim
-Nada eu só queria saber como você está. Hum... Eu sei que... Talvez você não me ame mais e ... Eu só queria dizer que te amo, só isso!
-Ama?
-Amo.
-A mim e a quantos outros?
-Não fale assim comigo, eu não traí você e nunca te dei motivos pra me tratar assim! Nem sei porque terminamos.
- Desculpa, mas...
-Será que podemos conversar pessoalmente?
-Tanto faz - Merda! Fui fria e estúpida de novo.!
-Onde?
-Vem pra cá, tô em casa.
-Ok, até.
-Até.
Se ela escolheu ficar comigo, porque eu tentaria agora tentar fazer o que eu acho melhor pra ela? Ela odeia que eu faça isso. Afinal as pessoas podem amar duas pessoas ao mesmo tempo, não com a mesma intensidade, é claro. E se eu for a mais amada nessa história? Será que vale a pena sofrer agora fazendo o que eu penso ser o certo? Mas será que ela escolheu MESMO ficar comigo?E eu nunca soube mesmo dividir atenção que dirá amor, afinal eu não gosto de meio termos, não sou tua meio amiga, nem teu quase amor. Ou sou tudo ou não sou nada. Nessa história acho que sou meio termo, então prefiro não ser nada. Mas não é questão de ser nada ou tudo, no amor não tem muito disso! O que hoje é tudo, amanhã ou mesmo daqui a uma hora, cinco minutos que seja, pode não ser nada. É questão de valer ou não a pena, apostar todas as fichas ou não, se entregar e que seja eterno enquanto durou desistir e pensar no que teria sido e eu a amo tanto. Mas definitivamente eu não posso prende-la aqui e deixa-la descobrir tarde que eu fui um erro. Eu não posso. Ler coisas do Caio é definitivamente algo que eu deveria ter feito e sabia disso, mas a teimosia me consome. É um defeito meu, admito. Então eu li, e li para que as horas passassem até que ela entrasse por aquela porta com uma cara que certamente me tentaria ainda mais a mudar de ideia. Eis que achei:'Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.' Ler o Caio agora, loucura! [continua assim que eu decidir o fim da história...]
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