sábado, 26 de setembro de 2009

E ao ver que era assim e seria assim, desisti. Mas desisti com uma dor tão profunda que poucos entendem. E por que desisti? Porque eu a queria feliz, mais que tudo. E por mais que agora ela esteja sofrendo eu sei que passa... Sempre passa.! Campainha. Ela chegou. Respira, respira, respira!
Ela tava ali, tão triste quanto o esperado, com aquela cara que dizia explicitamente um 'eu te amo' e eu não poderia ceder. Sabia que não! Respirei fundo, acho que procurava os meus pulmões e depois de um silêncio que eu preferiria não ter quebrado, tive que dizer:
-Entre.
Ela me abraçou. O que se diz em uma hora dessas? O se se pensa? O que se sente? Eu achei que estava preparada pra não ter uma taquicardia idiota dessas! Merda, merda, merda.! Esperei que ela soltasse, enquanto tentava contar meus batimentos cardíacos e prendia a minha mão a uma corrente imeginária para não abraça-la também. Aguentei. Ela por fim me soltou e entrou.
-Me explica, o que houve? Por que tudo isso agora? Você não me ama mais?
-Como você faz tantas perguntas juntas?
-Responde. Ela, por incrível que pareça não estava gritando.
Respirei. E tentei dizer calmamente:
-Nada, eu só cansei. Estamos... Estávamos muito tempo juntas e eu quero que você tenha um tempo pra você e quero ter um tempo pra mim.
- É por você ou por mim?
-Pelas duas.
-Então você acha que está melhor assim? -Porque ela tinha que perguntar isso?-
-Acho.
-Isso quer dizer que você não me ama mais? -Outra merda de pergunta pra ser respondida com mentiras.-
-Num é isso -Tentei não mentir- Mas acho que se vai acabar em breve que acabe logo.
-E por que acabaria?
-Ah, para vai. Não diga que estava feliz por que é mentir...
- Você não estava?
-Estava, mas eu...
- Se você estava feliz e eu estava feliz, ME DIZ POR QUE DIABOS VOCÊ INVENTOU ISSO DE TERMINAR! -Pronto ela já estava gritando-
-Porque eu preciso de um tempo e você també...
-PÁRA DE ME DIZER DO QUE EU PRECISO!
-Pára de gritar, por favor!
Agora quem respirou foi ela.
-Eu sei que é idiota, mas eu tenho os meus motivos e eu prometo que uma hora você vai entender.
-Mas eu quero entender agora. Enquanto eu ainda posso tentar consertar o que na sua cabeça está errado!
-Você que não vê!
-Me diz o que é que eu tento ver!
Fiquei calada, não poderia dizer nada. Ela não iria ver, não agora.! Respirei, respirei, respirei!
-Me dê um motivo plausível. -Ela disse com uma voz mais de ordem que de súplica!-
- Eu não tenho tempo pra você e você precisa de alguém que possa lhe oferecer mais do que minutos corridos...
-Eu preciso de você.
Ela não disse isso, não disse! Respire, respire, respire! Ela tava andando de um lado pro outro e eu sentada no sofá. Ela chegou perto, perto demais até, eu ia levantar, mas não consegui, não sentia minhas pernas.! Não havia razão. O que está havendo comigo agora? Ela se aproximou demais, mais do que deveria, mais do que eu aguentaria.! Parou na minha frente e disse:
-Se você disser olhando nos meus olhos que não me quer mais, eu saio da sua vida!
-Eu não quero que você saia da minha vida.
-O que você quer?
-Eu quero que... [estranho, mas eu travei pra dizer esta palavra que antes era tão comum entre a gente]... voltemos a ser amigas.
- Amigas?
Fiquei calada, não poderia repetir isso, seria estranho e cruel demais pra mim.
-Eu desisto, se é isso que você quer. Eu saio da sua vida. -Ela saiu com uma convicção que me assustou.-
Então eu estava sozinha de novo. E a única coisa que queria era chorar. E chorei por horas inteiras por alguns dias... Depois foi acalmando. Acho que aprendi a viver sem ela de novo. Mudei o foco. Era o que eu precisava. Ficou a lembrança que ainda dói. Seis meses depois, numa tarde de sábado, eu estava exausta da noite anterior em que eu agi como uma menina idiota e sem coração de novo, fiquei com gente que nem lembrava o nome, entre outras coisas imbecis que eu adorava fazer antes dela, mas que agora já não tem a menor graça, o telefone toca. Era a minha amiga dizendo que ela estava namorando com o menlhor amigo dela desde a semana passada e estava muito feliz. Eu sabia. Eu sempre soube. Acho que vou tonar um banho, chorar um pouco no chuveiro e agora de tarde, pra de noite a maquiagem esconder os vestígios do choro e eu poder sair de novo pra supostamente me divertir na minha vidinha cor-de-rosa na Terra do Nunca.

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