segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Beatriz

Essas idas e vindas da vida sempre me surpreendem e não há porque esperar que agora seja diferente. Será? Pois digo que agora há de me surpreender esse tal ciclo. Há de me surpreender! Seja por vocês serem igualmente diferentes ou por eu estar exatamente igual. Surpreende-me agora que você não seja tão previsível quanto o esperado pelo meu ego gigantescamente vazio. Bom isso já nem importa tanto, importa sim que o meu objetivo seja alcançado, seja ele qual for e se ele existir. Existe? Deve-se por pressuposto básico à logística desse texto acreditar que ele existe. Tá, existe. Mas garanto que não sei se o inventei agora ou se o resgatei do meu inexistente subconsciente, que a cada dia grita mais pela sua existência, entre o meu consciente e o meu total inconsciente. Pois então partiremos do meu objetivo que consiste em outros objetivos quase e não quase alcançados. E lá volta o meu ego rezando a lenda de que alcancei algo. Não quase alcancei nada, o quase tudo e o quase nada são iguais em algo, todos são quase, como você e como eu, um quase tudo e nada. Se constrói algo de quases? Talvez uma quase satisfação, ou a satisfação que o quase proporciona: Nenhuma. Pois quando acaba, e tudo acaba, o quase de nada lhe serviu. Você não teve nada que você quis dela. Ela. E todos os personagens que ela veste escondem exatamente aquilo que você viu e leu tão facilmente, talvez por ter tantos personagens quanto ela e por atuar com eles na cena que escolherem. E que cena vocês fazem quando os personagens não podem ser usados? Qual é a cena na qual você entra depois de ter visto todas as cores que ela pode ter? Um arco-íris misto, quente e frio. Ela é tudo ou nada daquilo que pareceu ser? Ou é apenas o tudo e o nada que parece? Ela é, pois, uma atriz fria e calculista que explica o encanto e desencanto de todas as plateias. Dos rasos o encanto pelo que não viram, dos observadores o desencanto pelas tantas cores forjadas em alguém cinza, ou preto e obscuro (pausa para rir da sua associação dita racista pelo academicismo). Talvez ela seja exatamente o branco, da ausência de todas as cores e luzes, em meio a escuridão. Talvez ela não seja nada além daquilo que quiseres ver, até que um momento de embriaguez te torne lúcida o suficiente para enxergar o outro lado do disco. Mas, se ela é todas as cores, ela não é nenhuma e sim a misturas delas. Nem sua, nem deles, vestindo exatamente a cor que lhe convier. Não há agora um juízo de valor entre todas elas, ou há. Gosto mais do lilás, ou do azul bebê, mas o branco eu posso colorir como quiser, certo? Ou não. Depende da platéia, do dia, da peça, da máscara, dos bastidores iluminados pelo reflexo do sol, ao amanhecer do dia, no quarto dela. “E se ela chora num quarto de hotel E se eu pudesse entrar na sua vida?” Em qual delas?

Nenhum comentário:

Postar um comentário