segunda-feira, 19 de julho de 2010

Passeio no mundo alheio


Gosto de imaginar que as pessoas são as águas de um rio e eu a margem. Elas passam e seguem seu rumo para que outras passem por mim novamente, podem voltar mantendo o ciclo, ou condensar em outro rio, ou oceano. Plano de vida maior ou menor. Não vejo o fim do meu. Quando sou água de outras margens, gosto de encontrar pedras, elas me prendem e dificultam a minha passagem, me mantendo mais um tempo ali, até que o ciclo se repita para mim também. ‘O se repetem não são as pessoas e sim as situações’. O céu anda escuro e o meu organismo está se moldando para combinar com ele sem que eu permita. Acabo de me dar conta: Ando cinza como o céu, fumaça, poluição, nuvens negras... No atual segundo me encaixo nesse mundo, apenas nesse segundo. Estou em completa harmonia com a ausência de cores, ou com a mistura de todas elas, estou chovendo por dentro. Estou sujeita à vontades desconhecidas como o poder do tempo, minhas próprias vontades. Não tento me entender, tento me encaixar. Sou passageiro desse lugar, me enquadro nele quando não há muito amarelo. Gosto de chuva, gosto de vento frio e de pessoas com sono e caladas, fechadas em seus mundos, sem atrapalhar a minha órbita e o meu passeio, gosto de energias que não chegam a mim, gosto de distância e calmaria externa, uma vez que a gritaria mundana não permite que eu ouça o meu escândalo interno. Não quero carinho, não quero amor. Quero silêncio, um livro, alguns cães, vento frio, chuva e cinza. Não suporto mais todas essas cores vazias desses sorrisos falsos, não suporto mais esses gritos alegres que à noite se tornam gritos de solidão. Fim de passeio. Está clareando. Volto para o meu mundo.

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