
Amor, acorda. Acorda, porque lá fora está tudo errado, tudo fora de órbita. Eu estou aqui parada esperando que as coisas se ajustem tem um tempo. Me sinto como uma cômoda no meio do quarto, bem no meio, na exata hora da faxina. Já choveu, já fez sol e eu já estendi a minha mão para tocar a sua inúmeras vezes. Em troca não tive nada, nem um olhar, talvez. Acorda que ainda te espero. Não pára, não pára de girar. Chegou o meu grande dia, que não será grande sem você. Tudo bem, está certo que a minha bebedeira também atrapalha, mas eu preciso que você segure minha mão, não sou tão insana quanto pareço, só preciso de luz. Vai chover de novo, eu acho. E você não chegou, não ligou, nem sequer pensou que eu poderia estar aqui lhe esperando. E eu estou. Está tudo pronto: Luzes, imprensa, câmeras, flashes, críticos, falta você. Oito horas, em ponto. Me arrumo, olho o espelho, o relógio, está na hora e eu estou sozinha. Você disse que não me faltaria em nenhum momento. Talvez quisesse dizer em nenhum que sua presença não fosse vital. Vital. Nada me é vital além de minha própria saúde, seja física ou mental. É, o ser humano é egoísta por natureza, meu bem. O vidro está embaçado e eu estou sozinha. Você também, eu sei. Você é imaturo e egoísta demais para estar acompanhado. Minha carreira vai bem, meus amigos têm sido cada vez mais lindos e amáveis comigo, nem sei por que ainda te espero. Mas espero, e esperei por todos esses dias. Cada gota de chuva e cada raio de sol que bate na vidraça é como se me fosse jogado sal nas feridas. E eu me lembro de você dormindo nessa cama, ou acordando com aquela cara amassada de quem não espera nada do dia. Eu ainda espero coisas da vida, espero coisas do tempo, assim como esperei coisas de você. Não, não espero mais nada além da sua volta, uma última transa, uma última risada e um último raio de sol batendo na sua cara amassada enquanto você dorme na minha cama. Eu sou nova, espero coisas da vida. E quem diria que há alguns anos, nossas diferenças eram indiferentes? Talvez por eu não esperar, você sempre chegava e adentrava minha casa com um sorriso e um alívio por estar aqui. Você era diferente, eu também. Acho que os problemas de hoje não são as diferenças entre você e eu e sim as nossas diferenças internas que simultaneamente começaram com o estrago. Eu mudei e esperei que você mudasse comigo e de alguma forma ainda combinássemos, mas eu não me dispus a mudar com você e você, cego como sempre, não percebeu que mudávamos em direções distintas e até distantes. Isso significa claramente que eu não lhe espero mais, o que espero é a imagem que fiz de você, mantendo todas as qualidades anteriores e mesclando-as a novas qualidades que eu gostaria que você tivesse adquirido. Mais um copo de café, outro cigarro.
Parabéns pelo seu blog....
ResponderExcluir''O que espero é a imagem que fiz de você, mantendo todas as qualidades anteriores e mesclando-as a novas qualidades que eu gostaria que você tivesse adquirido''Esse é um grande problema pq idealizamos as pessoas!
cacetada bom demais
ResponderExcluirgostei muito parabéns
Adorei como seu texto soa bem pessoal e não perde o lirismo.. Muito bom!
ResponderExcluirTem um "q" de ansiedade e espera... Gostei disto!
Layout cheio de energia!
;D
Adoreii to seguindoo
ResponderExcluir(:
gostei do blog.Eu gosto de escrever e acho que Vc escreve bem!
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