segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Será que sempre há?

Poderia não parecer, mas ela se importava. Na verdade ela sabia o quanto demonstrava se importar e nessas horas conseguia sentir um nojo tão forte de si mesma que, se pudesse, desapareceria. E se sentia tão ridícula em horas assim, mas acontece que ser ridículo vezenquando é inevitável e chega a ser até benéfico. É como se uma voz, uma determinada voz, a puxasse da realidade dissesse: Ei, feche os olhos, moça, há mais, há sempre mais. E então ela pensava, por horas e mais horas, que se havia mais por trás dela, certemente haveria mais atrás daquele outro ser. Infelizmente, outro ser pensante. Digo infelizmente porque os seres pensantes sentem tanta obrigação e vontade de ser um ser cada vez mais pensante que acabam esquecendo de sentir outras coisas e quando sentem pensam em uma forma de escondê-la, só pra não perderem o hábito de pensar. Mas o que haveria por trás daquele outro ser? Ódio? Pseudo-amor (Encontrei o amor, ele não é real, mas o que se há de fazer? A gente não pode ter tudo na vida. – Caio F.)? Rancor? Mágoa? Deveriam haver tantas, mas tantas coisas nele, tantas coisas ocultas e in-gritáveis, coisas que certamente ela não descobriria, nunca. O problema é que não se sabe por quê, mas ela só conseguia imaginar todas as coisas ruins que haveriam ali e ela desconhecia, por que se fossem boas ela saberia, certo? Mas se a resposta for sim, por que ela mesma tentava esconder um sentimento aparentemente bom como o amor? Mais um gole de café, mais três milhões de interrogações que ficariam pra depois. Depois daquele gole, depois de mais uns tragos... Depois talvez do próprio tempo, mas viriam, certamente.

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